Ecos da Liberdade

A Vida de Dietrich Bonhoeffer (1906 – 1945)

Quem estuda Dietrich Bonhoeffer, provavelmente encontrará dois planos de sua vida. O primeiro será o Bonhoeffer histórico onde sua vida parece cumprir etapas cronológicas, de acordo com RAMOS(2007),tudo ocorre (trabalho com jovens, ministério pastoral, militância política).

O outro aspecto de Bonhoeffer, apresenta como “um herói”, “um mártir”, um exemplo de vida para a Alemanha e o mundo, com isto em mente tentamos equilibrar: o herói “da teologia liberal a militância política-social”. Dietrich Bonhoeffer nasceu em Wroclaw (.: Breslau), no dia 4 de fevereiro de 1906, seu pai (Karl Bonhoeffer) foi um famoso médico psiquiatra e sua mãe (Paula Von Hase) foi a filha de um capelão da corte imperial e neta de um célebre historiador da Igreja. Bonhoeffer, veio de uma família de oito irmãos, dos quais quatro foram homens ( Karl Friedrich, Walter, Klaus e Dietrich), e quatro mulheres ( Úrsula, Christine, Sabine e Susanne).

Bonhoeffer tornou-se um grande aristocrata era admirado por sua nobreza e conduta. Uma grande parte do seu tempo passou em Berlim, dedicando-se aos estudos, à música e ao esporte. Dietrich destacava-se em todas as áreas, porém seu maior desejo voltava-se para a Teologia e com dezesseis anos, decide tornar-se pastor e, no outono de 1923, ingressa na Universidade de Tübingen para iniciar seus estudos teológicos.

Não demorou muito e seus professores reconheceram o potencial de Dietrich Bonhoeffer, um deles A. Harnack ficou tão impressionado que quis fazer dele um historiador da Igreja, porém seus planos eram outros. Em 1927 foi laureado em teologia dogmática com a dissertação Sanctorum Communio: eine Dogmatische Untersucbungzur Soziologie der Kirche, um ensaio que Karl Barth considerou como “um milagre teológico” e que Ernst Wolf considerou como “provavelmente, a abordagem mais aguda e profunda da questão da estrutura real da Igreja”.

Para MONDIM (1979-1980), neste momento ele mostra-se muito mais inclinado para Barth e a teologia da Palavra de Deus do que para Harnack e a teologia liberal. Em 1929, retorna a Berlim, e escreve o ensaio Akt und Sein: Transzendentalphilosophie und Ontologie in der Systematischen Theologie ( Ato e Ser: Filosofia Transcedental e Ontologia no Seio da Teologia Sistemática).

Além de ser aprovado Dietrich Bonhoeffer consegue um lugar de docente de teologia sistemática na Universidade de Berlim antes de assumir foi enviado aos Estados Unidos para complementar seus estudos no “Union Theological Seminary” de Nova York. Segundo MONDIM (1979-1980, p.167-168), o tempo nos Estados Unidos marca o inicio de suas atividades na Igreja, onde o amor pelo sacerdócio marcaria sua vida para sempre, ele retorna para Berlim em 1931 e começa a ensinar na Universidade, exercendo grande influência espiritual e intelectual sobre os estudantes.

Bonhoeffer além de ensinar na Universidade começa a preparar adolescentes para a Crisma, alcança êxito e reconhecimento, conquista a simpatia dos adolescentes e conhece a situação social da Alemanha que era trágica. Bonhoeffer, passou a ter um papel importante no CMI (Conselho Mundial de Igrejas), participando também de outras reuniões, como a (Aliança Mundial), ação fraterna de igrejas, que levariam a ser Secretário e por algumas vezes representando o superintendente Max Diestel. Neste período foi atraído pelos ensinamentos de Ghandi, sobre o método da não violência; mas não pode dar continuidade nos projetos pois a Igreja Confessante naquele ano convidaria para confiar um seminário em Finkenwalde.

Este seminário foi aberto pois estes futuros pastores não queriam ingressar nas fileiras da Igreja Protestante que trabalhava a favor de Hitler. MONDIM (1979-1980, p. 168-169) diz que: Bonhoeffer ficou um ano lecionando na Universidade de Berlim, entretanto em 1936 precisou retirar-se porque o governo cassa-lhe o título de livre docente.

Bonhoeffer pode passar um bom tempo em Finkenwalde com seus alunos, aplicou-se nos estudos, levou naquele lugar uma vida conventual experimentando uma verdadeira comunhão. Em 1937 o seminário foi fechado por ordem de Himmler, Bonhoeffer reagrupou seus alunos em dois lugares diferentes, Köslin e Gross-Schlönwitz, mas por pouco tempo, pois Bonhoeffer foi proibido de ensinar e publicar livros. Devido a perseguição Bonhoeffer resolveu aceitar o convite dos amigos que estavam nos Estados Unidos, viajou para realizar algumas conferências quando foi informado que a guerra iniciaria. Neste momento de reflexão ele decide voltar:

Sendo pacifista, sua vida corria risco, mas será que ele deveria abandonar seus amigos? Ele se lembrou do que exigira dos outros. Não tinham sido suas as palavras: “Não vamos perseverar na causa da igreja sem sacrifícios”? Dietrich Bonhoeffer compreendia-se “pastor”, cuidador, mas será que um pastor podia abandonar os seus? (…) Os amigos americanos, que se haviam empenhado por ele, estão confusos. Ele tentou explicar a Reinhold Niebuhr: “Depois da guerra, eu não terei direito de participar na reconstrução da vida cristã na Alemanha se eu não compartilhar agora das privações pelas quais passa o meu povo”. (MILSTEIN, 2006, p. 62).

Bonhoeffer, torturado pela consciência e refém do seu discurso, tomou a iniciativa do retorno, ele acreditava no que ensinava e para sua Teologia causar impacto era necessário abraçar a causa voltando para a Alemanha, mesmo sabendo que aquilo poderia custar-lhe a vida. Seu retorno foi no ínterim do começo da guerra, a qual começaria em setembro, depois que a guerra deu ínicio em 1939, Bonhoeffer começa trabalhar na espionagem e para resistência em 1940.

Seu trabalho na resistência não impede de continuar trabalhando na Igreja, neste momento sua reflexão teológica tem por objetivo Igreja e o Estado, a Igreja e o mundo, o cristão e seus deveres civis e religiosos.

Porém, foi na tentativa de eliminar esse mal chamado nazismo provocador de uma das piores guerras de todos os tempos, que Bonhoeffer foi preso em sua casa no dia cinco de Abril de 1943 em Berlim, praticamente todos que faziam parte da resistência foram pegos na mesma hora e levados para a prisão militar de Tegel.

Dedicou-se nesse período em ajudar pessoas de acordo com MONDIM(1979-1980, p. 170), aconselhando,orando e ensinando a Palavra de Deus, preencheu seu tempo escrevendo inúmeras cartas, parte dessas era para sua família outras para sua noiva Maria von Wedemeyer e para seu amigo Eberhard Bethge, através do qual, este formulou o livro Resistência e Submissão (Widerstand und Ergebung).

Permaneceu dezoito meses preso, no ínicio de fevereiro de 1945 foi transferido para o campo de concentração de Buchenwald, e posteriormente a Flössenburg, a guerra praticamente estava acabada, mas o que esperava seria o martírio e no dia nove de abril de 1945, Dietrich Bonhoeffer foi enforcado, ele estava com 39 anos. Com referência a sua morte um companheiro disse o seguinte:

Num domingo, 8 de abril, escreve Best, o pastor Bonhoeffer pronunciou-nos um breve sermão, falando de modo que tocou o coração de todos e encontrando as palavras adequadas para exprimir o espírito de nossa condição e os pensamentos e propósitos que ela determinara em nós. Nem bem ele concluiu a ultima oração quando a porta foi escancarada; entraram dois homens à paisana e de aspecto malvado, dizendo: Prisioneiro Bonhoeffer, prepare-se para vir conosco. Aquelas palavras – venha conosco – já tinham assumido para nós um único significado: a forca. Despedimo-nos. Ele se retirou dizendo: Isto é o fim . Depois acrescentou prontamente: Para mim, é o início da vida. (MONDIM, 1979-1980. p. 170).

“ O Pastor”.

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