O Ser Cristão ( Ecumenismo e Diálogo Inter-Religioso).

"Ecumenismo"

"Ecumenismo"

O Ser Cristão     ( Ecumenismo e Diálogo Inter-Religioso).

Não sei se posso usar este termo, porém, minhas convicções me frustram, quanto ao diálogo inter-religioso, sou devedor e não consigo crer, que teria coragem pra tanto, mergulhar no âmago de outra religião, deixar de lado minhas convicções e debruçar sobre o “novo”,  talvez seja algo que jamais venha fazer. Concordo quando dizem que devemos estar aberto para compartilhar, aprender e crescer, mas qual o norte? certo e errado? Qual o ponto de equilíbrio para não haver erros? Que erros seriam estes? Se realmente tenho meus princípios, como posso  abrir para algo que macula Deus? Não terás outros deuses diante de mim…(Ex 20.3)Dt 5.7.  Não sou eu quem estou falando, é o próprio Deus. Se estabeleço os princípios bíblicos como doutrina outras religiões não aceitarão o diálogo, porque algumas religiões não tem o Javé por Deus soberano, e mesmo que aceitem não entraram  em acordo sobre um absoluto.

Porque relativizar, se conheço o absoluto? E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará Jo 8.32. Qual verdade é esta que Jesus fala em João? Sei das tentativas do diálogo, algumas frustradas outras com pouco mais de avanço, mas bem limitadas. Como mudar o que está enraizado na mente e no coração? Sei que através da educação poderíamos abrir as mentes mas, existem balizas em nossas vidas e em nossa fé que são inamovíveis. Uma vez banalizando comprometemos nossa estrutura. O diálogo inter-religioso apesar de sabermos que tem o seu próprio valor, nós  precisamos compreender que a nossa religião também têm valores, e não é questão de superioridade, isto geraria um obstáculo para a conversação, é uma verdadeira questão de identidade paternal.

Existem situações que jamais serão compreendidas, e não é culpa absolutamente de ninguém. Como abordar temas  puramente teológicos com determinadas religioes? Praticamente todos os pontos de vistas dos Protestantes divergem, não quero colocar a religião como empecilho, mas quando vamos pra qualquer tipo de diálogo, vamos cheio de convicções, não conseguimos desvencilhar do nosso olhar, histórico, social, teológico, antropológico ou filosófico. “Uma das maiores dificuldades que obstaculizam ou mesmo interditam o caminho do diálogo inter-religioso é a afirmação problemática em particulares tradições religiosas de uma consciência de  superioridade, arrogância identitária e pretensão exclusiva da verdade, que acabam provocando a violência, a exclusão e o conflito inter-religioso”. Como ficaria o diálogo religioso, somente na superficialidade? ou encontros pra discutir como melhorar a sociedade? Como compreender a parte teológica, dos hinduístas? Budistas? E outros, se nos apropriamos da verdade chamado Cristo, será necessário de fato abrir nossos ouvidos e corações para um “novo” contaminado.

Devo concluir com  palavras de C.S Lewis do livro Cristianismo Puro e Simples, “Se você é cristão, não preci­sa acreditar que todas as outras religiões estão simples­mente erradas de cabo a rabo. Se você é ateu, é obrigado a acreditar que o ponto de vista central de todas as reli­giões do mundo não passa de um gigantesco erro. Se você é cristão, está livre para pensar que todas as religiões, mes­mo as mais esquisitas, possuem pelo menos um fundo de verdade. Quando eu era ateu (C.S.Lewis), tentei me convencer de que a raça humana sempre estivera enganada sobre o as­sunto que lhe era mais caro; quando me tornei cristão, pude adotar uma opinião mais liberal sobre o assunto. É claro, no entanto, que, pelo fato de sermos cristãos, nós temos efetivamente o direito de pensar que, onde o cristianismo difere das outras religiões, ele está certo e as outras, erradas. É como na aritmética: para uma de­terminada soma, só existe uma resposta certa, e todas as outras estão erradas; porém, algumas respostas erradas estão mais próximas da certa do que as outras.

As pessoas que acreditam em Deus podem ser agrupadas de acordo com o tipo de Deus em que acreditam. Neste assunto, existem duas concepções bem diferentes uma da outra. Uma delas é a de que ele está acima do Bem e do Mal. Nós, seres humanos, dizemos que uma coisa é má e outra é boa. De acordo com alguns, porém, esse é um mero ponto de vista humano. Essas pessoas diriam que, quanto mais sábios nos tornamos, menos nos interes­samos por classificar as coisas dessa maneira, e nos da­mos conta com clareza cada vez maior de que tudo é bom sob certo ponto de vista e mau sob outro, e que nada poderia ser diferente do que é. Em conseqüência, essas pessoas crêem que, antes mesmo de nos aproximarmos do ponto de vista divino, essa distinção desaparece to­talmente

As pessoas que pertencem a ele não se limi­tam a exigir que a vida de cada homem melhore quando ele se torna cristão; exigem também, para poder crer no cristianismo, que o mundo inteiro se lhes apresente nitidamente dividido em dois campos – o cristão e o não-cristão — e que todas as pessoas que estão no primei­ro campo sejam, a qualquer momento, evidentemente melhores que todas as que estão no segundo. Por diver­sos motivos, isso não é nem um pouco razoável.

(1) Em primeiro lugar, a situação verdadeira do mun­do é muito mais complicada. O mundo não é feito de pessoas 100 por cento cristãs e pessoas 100 por cento não-cristãs. Existem pessoas (em grande número) que estão lentamente deixando de ser cristãs, mas que ain­da se chamam por esse nome; algumas delas fazem parte da liderança da Igreja. Existem outras pessoas que estão lentamente se tornando cristãs, embora ainda não se cha­mem por esse nome. Existem pessoas que não aceitam toda a doutrina cristã a respeito de Cristo, mas que são a tal ponto atraídas por ele que chegam a pertencer a ele num sentido muito mais profundo do que elas mes­mas poderiam compreender. Existem membros de ou­tras religiões que, pela influência secreta de Deus, são levados a concentrar-se naqueles elementos de suas religiões que concordam com o cristianismo, e que assim pertencem a Cristo sem o saber. Um budista de boa vontade, por exemplo, pode ser levado a concentrar-se cada vez mais na doutrina budista da compaixão, dei­xando em segundo plano os elementos doutrinais que versam sobre outras questões (embora possa ainda afir­mar crer nessa doutrina como um todo). E possível que muitos dos bons pagãos que viveram antes do nasci­mento de Cristo tenham estado nessa situação. E, como seria de esperar, sempre existe um número infindável de pessoas que são simplesmente confusas e têm uma por­ção de crenças incoerentes misturadas dentro de si. Con­seqüentemente, não há muita utilidade em se tentar emi­tir juízos sobre os cristãos e os não-cristãos considera­dos em seu conjunto. Vale a pena tentar comparar em conjunto os cães e os gatos, ou mesmo os homens e as mulheres, pois nesses casos não há a menor dúvida so­bre quem é quem. Além disso, nenhum animal se trans­forma de gato em cachorro (nem lentamente nem de súbito). Mas, quando comparamos os cristãos em geral com os não-cristãos em geral, com freqüência não pen­samos nas pessoas reais que conhecemos, mas em duas idéias vagas que nos foram incutidas pelos romances e notícias de jornal. Se você quiser comparar o bom ateu com o mau cristão, terá de pensar sobre dois espécimes reais que você efetivamente conheceu. Se não descermos assim aos fatos concretos, estaremos simplesmente perdendo tempo.

“O Pastor”.

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Uma resposta para O Ser Cristão ( Ecumenismo e Diálogo Inter-Religioso).

  1. fatima disse:

    Ivan vc escreve muitoooo é muito bom isto. caro Pastor tem sido muito legal ler seus textos inéditos sou sua fan no blog rs abraço .que Deus abençoe vc

Muito Obrigado pela visita "God Bless you".

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